Em muitos municípios do país, a fiscalização sobre o executivo é frágil e não há órgãos de controle devidamente equipados. Em Iaçu, cidade baiana, por exemplo, a maior parte da população vive na extrema pobreza. Metade dos 24 mil habitantes sobrevive graças ao Bolsa Família, enquanto o restante depende da produção de melancia. Agora, descobriu-se que os poucos recursos do município foram desviados. O Ministério Público do Estado da Bahia apresentou denúncia na justiça nesta semana contra o prefeito Nixon Duarte Muniz Ferreira, do PSD, por dano ao erário. O mandatário teria desviado dinheiro dos cofres do município. A falcatrua seguiu a receita clássica. A cidade recebeu recursos para construir quatro estações de tratamento de água e uma quadra poliesportiva, tudo certo. Nixon Duarte abriu então o processo de licitação para escolher a empresa que executaria o serviço, e a vencedora do certame foi a empresa GB Transportes e Serviços. Tudo errado.
Segundo o Ministério Público, a tal GB pertence ao prefeito para enganar seus eleitores e ficar com parte do dinheiro das obras. Nixon teria usado uma empresa em nome de "laranja" nas obras. Segundo os promotores, as obras teriam sido realizadas pelos próprios servidores do município, ou seja, a GB aparecia apenas na hora de receber o pagamento pelos serviços que não realizava. A empresa estava em nome de um "mecânico" da cidade. Ambos foram denunciados pelo MP, o prefeito e o "laranja", praticaram ato de improbidade administrativa. Os procuradores pediram à justiça a indisponibilidade dos bens de ambos para tentar ressarcir os cofres públicos, os 729.000 que teriam sido desviados.
O prefeito divulgou notas sobre a acusação. Segundo ele, o caso é político e sua gestão tem a aprovação de mais de 70% da população. Afirma que as denúncias são falsas, foram feitas por adversários que nada sabem sobre a empresa fantasma, não conhecem o mecânico e que está à disposição das autoridades.
