O Hospital Sagrada Família busca garantir mais um ano de fôlego financeiro para tentar organizar o passivo trabalhista que se acumula há quase uma década. O Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) analisa a Proposta de Resolução Administrativa 2900/2026, que prevê a suspensão de qualquer tipo de bloqueio de contas ou leilão de bens da unidade a partir do dia 27 de março.
A medida é uma estratégia para evitar que a unidade gerida pela Associação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição interrompa os atendimentos em Salvador por falta de recursos em caixa, protegendo a operação hospitalar enquanto tenta quitar uma dívida calculada em mais de R$ 16,2 milhões.
O imbróglio financeiro da instituição se arrasta e é marcado por momentos de forte tensão que mobilizaram a capital baiana nos últimos anos. Entre 2019 e 2020, por exemplo, o hospital foi alvo de sucessivas greves e protestos de enfermeiros e técnicos que denunciavam o atraso de salários e a falta de depósitos do FGTS.
O cenário crítico atingiu o ápice na pandemia, quando a unidade passou a atender exclusivamente casos de Covid-19 pela rede pública; naquela ocasião, um entrave nos repasses entre a prefeitura e a associação travou os pagamentos de centenas de profissionais por meses, fazendo com que o volume de processos judiciais saltasse para a casa dos 300.
Para tentar resolver o problema de forma definitiva, a Justiça do Trabalho tem mediado acordos de conciliação global. Em negociações recentes, o montante para o pagamento de dívidas foi fixado em R$ 16,2 milhões, com o objetivo de quitar débitos acumulados com centenas de credores de forma escalonada.
A nova suspensão solicitada agora permitiria que o hospital seguisse com o plano de pagamentos de forma ordenada, utilizando aportes específicos para reduzir o saldo devedor sem o risco de execuções individuais que pudessem asfixiar a operação hospitalar e o atendimento à população da Cidade Baixa.
A decisão final sobre essa blindagem judicial cabe ao Pleno do tribunal. Caso a resolução seja aprovada, o hospital terá até março de 2027 para tentar equilibrar as contas enquanto mantém as portas abertas, buscando cumprir o cronograma de pagamentos estipulado pela Justiça do Trabalho.
Por: BNews
