O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), em um evento político, citou em seu discurso que a fila da regulação seria a "fila da morte". Com sua fala, a secretária de Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, rebateu o prefeito. "Com tanto investimento que o governo do Estado tem feito em Feira de Santana, na Bahia, em toda a região, sobretudo aqui no interior do Estado, eu me entristeço bastante. Primeiro, como gestora e moradora de Feira de Santana, ouvir uma fala dessa de um gestor que se diz ser pelo povo baiano é muito triste."
"Que direito tem um prefeito que governa há quase 20 anos o município, o segundo maior do Estado, que não tem um hospital municipal, de falar da fila da regulação?" Qual é a transferência de responsabilidade que ele quer jogar para o Estado? Com essa fala, ele mostra que não conhece o Sistema Único de Saúde. O município de Feira de Santana é de comando único; ele tem responsabilidade sobre média e alta complexidade. Quantos leitos hoje o município de Feira de Santana oferece para pacientes que precisam ser regulados? Eu não conheço nenhum; ele não tem hospital municipal. Hoje, quem sustenta a saúde de Feira de Santana é o governo do Estado.
É triste um gestor não reconhecer uma entidade, um Estado, um órgão que sustenta a saúde. O que ele tem é UPA's, que faz o atendimento de pacientes. Esses mesmos pacientes até são colocados na regulação, com baixa resolutividade, e com os postos de saúde fragilizados, muitas vezes sem encontrar médicos para poder fazer o atendimento, e ainda quer falar da fila da regulação.
Se ele quer ajudar e fazer uma política construtiva, como o Estado, é só vir que estamos à disposição. O governador se colocou à disposição para ajudar com o Hospital Municipal, porque nós temos a sabedoria de somar. Então, se é para destruir, não é uma política saudável. Me desculpe, mas o prefeito da minha cidade está falando sobre isso. É preciso conhecer o Sistema Único de Saúde e é preciso agir para falar, porque efetivamente sabemos o que estamos construindo.
O governador entregou, em três anos, 15 novos hospitais. Por que, há quatro meses, ele não tinha essa postura e agora está colocando as garras de fora? Então, é uma mudança de comportamento muito drástica de um gestor com a vasta experiência que ele tem. Eu fico triste; é politizar a saúde, politizar a regulação que existe na Bahia.
A regulação não foi inventada pelo governo do estado da Bahia, e nós temos responsabilidade com a regulação. Quando eles ofendem a regulação, ofendem os médicos reguladores, que são mais de 200 e lutam incansavelmente para encontrar o leito mais rápido. O Estado tem dados, e nós podemos mostrar esses dados para ele, se ele quiser conhecer, porque, se quiser fazer a crítica construtiva, a gente topa. Mas é preciso ver os avanços que foram feitos e o tempo que nós reduzimos de atendimento.
Por: Ronda Geral Bahia
